Aí vêm as HFOs (ou mais um “conto do vigário” ambiental)

Publicado: abril 16, 2015 em Arquivo BFC!

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Um quarto de século após a última transição tecnológica compulsória nos equipamentos de refrigeração, com a abolição dos CFCs (clorofluorocarbonos) e a imposição dos HFCs (hidrofluorocarbonos), a título de preservar a camada de ozônio da estratosfera, as grandes corporações do setor estão prontas para uma nova rodada de substituição dos gases refrigerantes. Para tanto, contam com o apoio do governo dos EUA, que pretende a indústria a abolir os HFCs – agora acusados de fomentar o aquecimento global -, com vistas à adoção das recém-desenvolvidas hidrofluorolefinas (HFOs). Convenientemente, assim como ocorreu na década de 1990 com os CFCs, a proposta surge no momento em que as patentes dos HFCs estão perto de expirar – enquanto os especialistas do setor acreditam que a adoção das HFOs poderá gerar negócios de cerca de 8 bilhões dólares em negócios por ano em todo o mundo.

Os HFCs foram desenvolvidos na década de 1990, como uma alternativa supostamente “não prejudicial” à camada de ozônio, e foram impostos à indústria de refrigeração por meio de acordos internacionais, que resultaram na adoção do Protocolo de Montreal, em 1989, que determinou o banimento dos CFCs, halons e toda uma família de produtos similares, com centenas de aplicações industriais. Ocorre que os HFCs, desenvolvidos e produzidos pelo mesmo cartel de empresas que detinha as patentes dos CFCs antes que elas caíssem em domínio público, eram em média de 20-30 vezes mais caros que os CFCs e, como resultado da sua adoção, houve um encarecimento em cascata em toda a linha de produtos de refrigeração, em um processo que rendeu enormes lucros às companhias produtoras.

Agora, a história ameaça se repetir em relação aos próprios HFCs: sob a liderança estadunidense, negociadores internacionais pretendem convencer a comunidade internacional a obrigar a indústria a retirá-los de uso, devido à sua alegada capacidade de retenção de radiação infravermelha, 10 mil vezes maior que a das moléculas de dióxido de carbono, o suposto “vilão” do aquecimento global.

Especialistas já apontam que a iniciativa do governo americano abre uma lucrativa oportunidade para empresas pioneiras no desenvolvimento das HFOs, como a multinacional estadunidense Honeywell International. O próprio gerente geral da divisão de produtos de flúor da Honeywell, Ken Gayer, em entrevista na sede da empresa em Nova Jersey, reconheceu que, à medida em que as patentes dos HFCs vencem, a concorrência aumenta e as margens de lucro para a venda deste gás encolhem. Por outro lado, as patentes da empresa para a fabricação das HFOs estão protegidas durante a próxima década, o que, segundo ele, promete uma “recuperação” muito boa para os seus negócios. A Honeywell já tem 2,3 bilhões de dólares em contratos assinados para fornecer o novo gás e está negociando mais 1 bilhão em vendas, segundo Gayer (Bloomberg, 19/03/2015).

Com efeito, o governo de Barack Obama assumiu a aposentadoria compulsória dos HFCs como um dos principais objetivos de sua política “climática”. Para o enviado dos EUA às negociações sobre o clima mundial, Todd Stern, o amplo apoio de Washington à iniciativa “faz muito sentido”. “Os HFCs são pequenos no quadro geral das coisas agora, mas eles têm um caminho de crescimento explosivo”, declarou, em alusão ao seu suposto efeito estufa.

Com a finalidade de obter apoio internacional para a iniciativa, os EUA e outros países industrializados prometem irrisórios 508 milhões de dólares em ajuda aos países pobres, para efetuar a transição para as HFOs. Durwood Zaelke, da ONG Instituto para a Governança e Desenvolvimento Sustentável, outra organização sediada em Washington que apoia a proposta contra os HFCs, esse valor é “um investimento muito modesto, considerando-se os benefícios que obteremos para o clima e o ozônio”.

Sem dúvida, trata-se de um investimento bastante modesto para o cartel de fabricantes do novo gás, que, caso tenha sucesso na empreitada, poderá auferir lucros de pelo menos uma ordem de grandeza maior.
Segundo um estudo da ONU, a transição para as HFOs poderá custar até 3,2 bilhões de dólares aos países mais pobres.

Além do apoio de Washington, o projeto de imposição das HFOs também conta com a atuação de ONGs como o German Marshall Fund of the United States, sediada em Washington. O presidente da organização, Paul Bledsoe, afirma que se “a sua preocupação é um alívio no curto prazo para o clima, a eliminação do HFC deve ser prioritária”.

No entanto, a pretensão está esbarrando na oposição de países em desenvolvimento, como a Índia e – surpreendentemente, tratando-se de um normalmente fiel aliado dos EUA – a Arábia Saudita, que têm questionado nos fóruns internacionais a real necessidade de se promover tal eliminação compulsória dos HFCs. A próxima rodada de negociações será realizada em Bangcoc, Tailândia, em 20 de abril, mas a expectativa de que se chegue a um acordo ainda este ano está diminuindo. Em novembro, por exemplo, os países em desenvolvimento bloquearam o avanço das negociações formais e o ministro indiano do Meio Ambiente, Prakash Javadekar, solicitou maiores pesquisas sobre a validade dos gases substitutos nos países de latitudes mais quentes, embora admita acreditar que os HFCs representam uma “ameaça de efeito estufa”.

As HFOs também têm sido questionadas em relação à sua segurança e custos, tal como frisou Keilly Witman, ex-reguladora da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA, que admitiu que a nova transição compulsória resultará no virtual controle do mercado de refrigeração pelas fabricantes desses produtos químicos: “Não há dúvida de que os fabricantes de químicos ganham muitíssimo dinheiro com essas transações. (…) Quando só existem algumas fontes, ficamos à mercê do que o setor quiser cobrar.”

Em outra nota publicada neste sítio (“O Protocolo de Montreal e o banimento dos CFCs“), encontra-se um trecho do capítulo 4 do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial, de Geraldo Luís Lino (cuja quarta edição acaba de ser lançada pela Capax Dei Editora), o qual descreve as manobras políticas que levaram ao banimento dos CFCs.

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comentários
  1. hesst disse:

    Mas é logico que obama iria apoiar, comunista adora fazer cartel, e ferrar o cidadão.

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