José Delgado Domingos: "Os políticos embarcaram numa filosofia de combate das emissões de CO2 sem terem uma base científica adequada" / Tiago Miranda

José Delgado Domingos: “Os políticos embarcaram numa filosofia de combate das emissões de CO2 sem terem uma base científica adequada” / Tiago Miranda

O professor do Instituto Superior Técnico ficou conhecido pelos seus argumentos contra o nuclear, pelas previsões meteorológicas independentes, pelas críticas aos defensores do aquecimento global e pelos projetos de eficiência energética.  

Fonte: Expresso.pt

José Delgado Domingos, 79 anos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST) e presidente da Lisboa E-Nova (Agência Municipal de Energia e Ambiente) morreu no sábado em Lisboa. O funeral realiza-se hoje às 15h15 no Centro Funerário Santa Joana Princesa, na capital.

 Investigador no IN+ – Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento (IST) fundou e dirigiu o Grupo de Previsão Numérica do Tempo, que desde 2001 efectua diariamente e disponibiliza ao público a previsão do tempo para Portugal. Na E-Nova foi responsável pela elaboração da Estratégia Energético-Ambiental para Lisboa.

O seu nome ganhou projeção mediática quando se envolveu em 1976 na luta contra a instalação da primeira central nuclear em Portugal, em Ferrel (Peniche), usando argumentos científicos e esclarecendo a população local.

Polémico e frontal

Polémico e frontal, voltou à carga quando o debate sobre o tema em Portugal regressou em 2006, devido à proposta de construção de uma central nuclear avançada pelo empresário Patrick Monteiro de Barros. Delgado Domingos criticou em especial a falta de segurança e de viabilidade económica do projeto, que acabou por ficar na gaveta.

Os seus argumentos não eram apenas académicos, porque o professor do IST trabalhou no setor da energia nuclear nos EUA, onde foi consultor da Foster Wheeler e da General Dynamics para a dinâmica de centrais nucleares. Aliás, exerceu actividade profissional como engenheiro nos EUA, Portugal, França, Suíça e Reino Unido.

Foi também bastante crítico em relação aos defensores da tese do aquecimento global, por muitos deles usarem argumentos políticos e ideológicos para sustentarem as suas posições, ou argumentos científicos pouco credíveis.

Confundir simulações com valores observados

Nas últimas declarações que fez ao Expresso sobre o assunto, na edição da Revista de 21 de dezembro de 2013, Delgado Domingos afirmava que “os modelos do clima do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) da ONU confundem resultados de simulações computacionais com os valores observados” e lembrava que um modelo deve prever a possibilidade de se poder testar a sua veracidade, “mas os que existem não permitem esse teste”.

Por outro lado, os modelos do IPCC “não consideraram a descida das temperaturas registada entre 1910 e 1975, e os cientistas argumentaram que essa descida se ficou a dever à emissão de aerossóis para a atmosfera por causa da atividade industrial”.

Como não há valores calculados para a emissão de aerossóis, “cada modelo matemático do clima adotou os valores que os cientistas queriam, isto é, manipulou-se o modelo para dar determinados resultados, de modo a que todas as alterações climáticas estivessem relacionadas com o aumento dos gases com efeito de estufa”. E tudo isto “está relatado nos próprios documentos originais do relatório do IPCC”.

“Combate às emissões sem base científica adequada”

Delgado Domingos defendia também que o CO2, só por si, não provoca grande aquecimento, enquanto “o impacto do vapor de água na atmosfera é absolutamente crucial”. Se ele não existisse, “a temperatura global só aumentaria um grau cada vez que duplicasse a quantidade de CO2 na atmosfera”.

As nuvens são “um dos aspetos fundamentais do comportamento do sistema climático que ainda não dominamos, mas têm um efeito estabilizador crítico” e tanto podem potenciar como compensar os efeitos do CO2, “o que também é reconhecido nos relatórios do IPCC”, esclarecia o cientista.

Como os políticos “embarcaram numa filosofia de combate das emissões de CO2 sem terem uma base científica adequada”, qualquer avanço das previsões climáticas no futuro “vai naturalmente mudar a ciência estabelecida”. E a aposta na redução do uso de combustíveis fósseis “irá claramente abrandar por razões estritamente económicas, porque os grandes países emergentes vão querer apostar no desenvolvimento”.

Uma carreira dedicada à ciência    

Desempenhou numerosos cargos no IST, na Universidade Técnica de Lisboa e em diversas instituições científicas nacionais, tendo ainda pertencido à comissão instaladora da Universidade Nova de Lisboa, onde foi responsável pela área de Ciências e Tecnologias, que criou as primeiras licenciaturas em Portugal em engenharia informática e em engenharia do ambiente.

Publicou mais de 150 artigos científicos e comunicações em conferências e congressos nas áreas da energia, ambiente, termodinâmica, desenvolvimento sustentável e previsão numérica do tempo. E nos últimos anos esteve empenhado em projetos relacionados com a eficiência energética e o uso de energias renováveis, nomeadamente como presidente da agência E-Nova.

Foi professor visitante e “Senior Research Fellow” do Imperial College de Londres, professor no Curso de Planeamento Energético da Agência Internacional de Energia Atómica, consultor da UNESCO para a Metodologia do Planeamento Energético, consultor de empresas nacionais e estrangeiras, membro do conselho científico e fundador do “International Center for Heat and Mass Transfer”, uma organização científica dedicada à energia que integra instituições de 40 países e tem sede em Ancara, na Turquia.

Leia também: O escândalo do ‘Climategate’ e a Conferência de Copenhaga

 

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comentários
  1. Ricardo disse:

    Meus sentimentos aos seus familiares e aos amigos portugueses que também se embrenharam na luta em desmistificar as “mudanças climáticas”.

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