O aquecimento global e o etanol

Publicado: março 6, 2014 em Arquivo BFC!
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Foto: Revista Plantar

É interessante como surgem essas ondas de pânico, tão bem orquestradas e planejadas: lembro do “sumiço da  camada de ozônio” que parece que depois o vento levou. Depois vejo aquela de “a Amazônia é o pulmão do Planeta” que ainda deve estar escondida em sua cova preste para mostrar as garras de novo.

Com relação à farsa do “pulmão”, fui iluminado em uma palestra pelo saudoso Professor Aziz Nacib Ab’Saber que disse mais ou menos assim [a frase é minha]: “parem de se deixar iludir pela fábula da biodiversidade; o que eles querem são os minérios que estão em baixo da floresta”. Não lembro se na ocasião o Professor Ab’Saber falou, mas com certeza devemos acrescentar: água

Assim, quando subitamente explodiu a gritaria do aquecimento global antropogênico (AGA), os cientistas que não éramos da área fomos pegos de surpresa. O filme de impacto de Al Gore, Kyoto e “como o Bush era cego”, o Nobel para o IPCC (International Painel for Climate Change), Copenhague. Deve haver algo de verdade, pensamos alguns.

Mas, espera aí. Depois li vários trabalhos de geólogos brasileiros negando o AGA. Nobel…tem cada Nobel! Os membros do IPCC são nomeados pelos governos; então são funcionários ou políticos, mas não cientistas. E mesmo o nome IPCC já parte da base que as mudanças existem.

Agora, com a crescente convicção de o AGA ser uma falsa catástrofe, felizmente, vamos tentar que tanta preocupação, grandes reuniões (incluindo Rio+20), dinheiro gasto, possam levar a alguns ensinamentos para a sociedade. Se bem a queima de combustíveis fosseis não é vilã pela produção de dióxido de carbono (CO2), ela é culpada pela produção de outras substancias que sim são tóxicas: monóxido de carbono (CO),  óxidos de nitrogênio (NO, NO2, N2O), dióxido de enxofre (SO2) e partículas sólidas que se acumulam em nossos pulmões.

Já de antes do alerta do AGA, a legislação e a tecnologia (variáveis de país para país) tentam reduzir estes poluentes. Assim, catalisadores eficientes nos exaustores dos automóveis estimulam a queima mais eficaz do CO:

CO + ½O2 → CO2

sendo o gás CO2  inofensivo. Por outro lado, as refinarias tem sido forçadas pelas normas a produzir gasolina com proporções menores de enxofre.

Mas então nasce, ou renasce, uma grande idéia para o automóvel: vamos substituir esse combustível fóssil de vez: em lugar de gasolina vamos usar etanol. E onde nasce essa idéia? Acredite: no Brasil.

Como para deixar todo mundo feliz.

Os inimigos de CO2 ficam encantados. Acontece que a cana-de-açúcar quando cresce consome o “malvado” CO2 :

CO2 + H2O + luz do sol => sacarose + energia

Acontece também que o etanol pouco tem de enxofre e nitrogênio, então sua queima produz menos gases tóxicos nas cidades.

Observem bem: em 100 anos de automóvel, o álcool combustível foi a maior inovação que aconteceu! Outrossim, ainda hoje, Brasil é o único país de Planeta em que você encontra álcool e gasolina em todo posto de combustível.

Come se o anterior fosse pouco, a montadora brasileira de Volkswagen iniciou em 2003 a venda do carro flex.(1)

O mundo olha com simpatia. Até os EUA derrubam as altas taxas de importação sobre o álcool brasileiro e cortam subsídios aos produtores americanos de álcool de milho.

Pronto, Brasil ia inundar o mundo com álcool e entupir as estradas com veículos flex.

Só esqueceram de um detalhe: os brasileiros. O ex Presidente Lula se faz filmar com a mão preta com óleo (de uma lata, imagino) e proclama que o futuro do Brasil é o pré-sal. Mentes esclarecidas (?) de brasileiros em postos de comando advogam pelo carro elétrico e por usinas nucleares. Os plantadores de cana e usineiros são jogados no lixo através da fixação artificial do preço da gasolina. Com verdadeiro requinte de crueldade (ou sublime incompetência), Brasil importa álcool de milho dos Estados Unidos!

Lembro de Stefan Zweig em 1941: “Brasil, País do Futuro”. 2014: “Brasil, País do Futuro”

Mas o etanol combustível ainda terá um papel, tanto no Brasil como no resto do mundo.

Enquanto muitos debatiam alternativas, reais ou utópicas, na conferencia Rio+20, governos reais, incluindo o nosso, se debruçavam sobre como aumentar a produção de petróleo.

A evolução energética a nossa frente é poli cromática e com ritmo alegro ma non troppo . Não haverá panacéia mas tentativas e erros e as rotas irão se perfilando. A hegemonia dos combustíveis fósseis por varias décadas ainda é óbvia. Não apenas petróleo, também gás natural, gás de xisto, carvão (com certeza). Hidroelétricas continuarão cruciais e alternativas tentarão se encaixar: lenha (sim), eólica, marítima, solar, etc.

Outro competidor estará no páreo: energia nuclear (já se cogita fusão nuclear). Tem lobby muito poderoso.

Aqui se encaixa o etanol. Renovável, pouco poluidor, preço competitivo. Acima falei de lobby poderoso para as usinas nucleares. Vale para o etanol também. Sabemos como funciona o mundo. Não basta um produto ser bom. A propaganda deve saber convencer que ele é bom.

Autor: Milan Trsic – Professor aposentado USP

(1) Para bem da verdade, lembremos que já em 1900 a Ford sabia fazer carros elétricos e bi-combustível.  

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comentários
  1. A gasolina está subsidiada para sustentar o populismo, o que quebrou a Petrobrás e, por tabela, os produtores de álcool hidratado. Copa…, Eleições…

  2. Nelson disse:

    Esse governo é um escárnio geral!!! Basta constatar o que ocorre com o setor elétrico hoje. Lastimável!!

Exercite seu ceticismo

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