O efeito estufa e o tempo

Publicado: fevereiro 19, 2014 em Arquivo BFC!
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Efeito estufa e tempo são noções relacionadas. Todos acreditamos saber, o que é o tempo; sentimo-lo passar, perdemo-lo as vezes. Choramos o “tempo perdido” e temos esperanças para tempos futuros. E claro, sabemos medi-lo. Desde os relógios solares e de areia, passando pelos cobiçados Rolex, até os atômicos que erram apenas um milionésimo de segundo em um século.

Nossa experiência como humanos nos permite entender e sentir a meia hora de atraso da namorada, ou o horror de uma pena de 20 anos de reclusão. Também sabemos sentir a fugacidade daquele namoro de verão. Até podemos extrapolar e entender a origem da família que vejo da Itália um século atrás ou como é antiga a catedral de Colônia, mesmo que o que aí está foi reconstruído várias vezes (incêndios, terremotos, chuva ácida) e não é tão antigo assim.

A nossa percepção está condicionada pela noção humana do tempo. Nada com coisas muito pequenas nem muito grandes. Alguém aí poderia explicar a diferença sensorial entre um milionésimo de segundo e  um décimo de milésimo de segundo? Veja que um décimo de milésimo de segundo dura cem vezes mais do que um milionésimo de segundo. Percebeu? Se seu dentista o atende depois de apenas um minuto de espera, você fica encantado. Mas se demora 100 minutos (mais de uma hora e meia) você trocaria de dentista. Mas, um minuto e 100 minutos estão dentro da escala humana.

Do lado macro não é nem um pouco mais fácil. Cem milhões de anos duram 100 vezes mais do que um milhão de anos. Interessante, não? Você poderia explicar a diferença para nós?

Quanto à definir tempo, não é trivial não. Os físicos até que podem ter uma definição, mas aí entra a relatividade e complica tudo de novo.

A minha (?) “definição” é: tempo é alquilo que há entre dois eventos.

Acho simpática a “definição” antiga de R. K. Cummings: tempo é aquilo que impede que tudo aconteça junto. [R. K. Cummings, “The Girl in the Golden Atom”, U of Nebraska Press, p. 46 (1922).]

Quanto ao efeito estufa, é um fenômeno complexo, mas estudos de longa data levaram a entender bem como funciona. Parte da radiação solar que incide sobre a terra é absorvida; outra parte é refletida. Mas a parte refletida não escapa toda para o espaço. Una fração, em particular a radiação infravermelha, bate contra os gases da atmosfera, principalmente água, e é mandada mais uma vez para nossa superfície.

A parágrafo anterior é uma descrição muito sucinta do efeito estufa. Fenômeno feliz que protegeu a Terra do esfriamento excessivo nos vários períodos glaciais.

Aí, de repente surge um certo IPCC-ONU (organização para estudar mudanças climáticas das Nações Unidas) e anuncia pouco menos que o fim do mundo por causa do aquecimento global antropogênico (AGA) que seria causado pelo dióxido de carbono (CO2), molécula bendita que nosso sol utiliza para carinhosamente nos alimentar.

As conclusões de IPCC estão baseadas em o quê? Em dados mal colhidos dos últimos 100 anos. Ora, o que significam 100 anos para um planeta que nasceu faz 4500000000 anos? É menos que um único piscar de olhos na vida de um ser humano. É menos que uma única gota de água em nossos oceanos.

Milan Trsic – Professor aposentado USP

19/02/2014

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