Terra: uma história climática

Publicado: agosto 1, 2013 em Arquivo BFC!
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Groenlândia no verão exibe pouca neve, paisagem essa que os Vikings puderam explorar devido ao período mais quente que a terra enfrentava.

O geólogo alemão Ulrich Glasmacher foi um dos grandes destaques da 65ª Reunião Anual da SBPC

O debate climático tem se tornado tão monótono – ou, mesmo, enfadonho – que o leitor pode até desanimar diante de mais um texto sobre a questão. Mas vale a pena ouvir UlrichGlasmacher, geólogo da Universidade de Heidelberg (Alemanha) – nem que seja para discordar. Sua conferência sobre mudanças climáticas foi um dos grandes momentos da 65ª Reunião Anual da SBPC. A abordagem lúcida e informada – sem espaço para alarmismos ou discursos politizados – rendeu elogios ao conferencista. Pois, segundo os participantes, sua fala foi marcada por precisão e austeridade.

A conferência de Glasmacher foi, na verdade, uma aula. Ele narrou a história geológica do planeta e explicou aos ouvintes quais são os principais fatores que determinam o clima da Terra.

Breve iniciação: o beabá da climatologia

“O principal condicionante do clima na Terra é o Sol”, esclareceu o geólogo. Nosso astro rei segue ciclos bem definidos – o principal deles respeita a periodicidade de 11 anos, aproximadamente. A cada um desses ciclos, a atividade solar aumenta sua intensidade. Resultado: mais energia, na forma de luz e calor, é emitida para a Terra. Um notável pico de intensidade solar referente a esse ciclo aconteceu por volta do ano 2000. “Naquele ano, o Sol irradiou muito calor”, lembrou. Um novo pico, menos intenso, foi registrado por volta de 2010 – Glasmacher, sempre muito didático, mostrou interessantes gráficos para ilustrar esses dois momentos.

Outro condicionante climático destacado pelo pesquisador foi o chamado ciclo de Milankovitch – os movimentos planetários que alteram as distâncias e os ângulos entre a Terra e o Sol. E, como bom geólogo, não esqueceu de mencionar o papel do vulcanismo e das atividades sísmicas – que também são importantes variáveis a interferir em nosso sistema climático. “Mas, infelizmente, nem sempre nos lembramos disso: esses dois elementos não costumam fazer parte das modelagens do clima.” (Falando em modelos, a CH On-line já publicou um pequeno vídeo didático sobre a questão).

Naturalmente, Glasmacher também falou acerca da influência dos gases de efeito estufa, como o metano (CH4), o dióxido de nitrogênio (NO2), o dióxido de carbono (CO2), entre tantos outros, sobre o clima. Preferindo não oxigenar as polêmicas, o pesquisador lembrou que debates a esse respeito costumam ser exaustivos. “Mas nós, sozinhos, não causamos aquecimento; essa é uma afirmação que faço como cientista”, ressaltou, referindo-se à variedade e à complexidade dos mecanismos reguladores do sistema climático.

Outros momentos da história do clima da Terra, como a ‘pequena idade do gelo‘ e o ‘ótimo climático medieval‘, também foram explicados durante a palestra – reafirmando seu caráter didático. Até aí, teria sido uma excelente aula, e ficaria por isso mesmo. Mas Glasmacher foi além, lançando uma instigante reflexão: “quem tem o direito de decidir que clima queremos?”

“Um esquiador na Alemanha vai adorar ver mais neve no inverno; alguém no Brasil pode querer mais Sol e calor, enquanto o vizinho pode desejar mais chuvas para suas plantas”, exemplificou o pesquisador. “Quem deve opinar sobre isso? As Nações Unidas? Os Estados Unidos? A União Europeia? Governos? Indivíduos? Que temperatura queremos manter?”, questionou. “Esse não é um problema trivial, e deve ser devidamente tratado pela sociologia, pela política, pela geografia…”

O geólogo lembrou que costumamos dizer que o degelo da Groenlândia, por exemplo, nos traria resultados catastróficos; mas, para os vikings, foi ótimo ter encontrado lá um clima aprazível e um continente sem gelo. “Entre os anos 900 e 1000, as condições climáticas por lá eram bem mais amenas que hoje.”

Em tempo: Glasmacher não deixou de falar sobre os desvairados projetos de geoengenharia, propostos em várias ocasiões por diversos cientistas – tema que já rendeu boas reflexões na CH On-line. São iniciativas que visam controlar o clima da Terra por meio de megaempreitadas do tipo espelhos gigantes no espaço, captura de carbono em depósitos subterrâneos, fertilização do oceano, fabricação de nuvens artificiais e por aí vai. “Não tenho nenhuma simpatia por esse tipo de ideia”, declarou.

Perspectivas e reflexões

O pesquisador afirmou que, ao contrário do que esperávamos, a temperatura média do planeta não está aumentando. “Por quê? Não sabemos.” O que se observa, segundo ele, é o aumento da frequência de eventos extremos, como enchentes, por exemplo, que castigaram a Alemanha em 2013.

“Sempre tivemos, na Terra, alternância entre períodos de clima quente e períodos de clima frio”, disse o geólogo. “Em termos geológicos, nosso planeta caminha para um resfriamento.” Esse processo teria se iniciado por volta de 35 milhões de anos atrás, quando a Antártica passou a ser coberta por gelo. “Mas também há muita incerteza sobre essa questão”, confessou.

Certeza, segundo ele, é que as atividades antrópicas estão alterando a composição química da atmosfera. Glasmacher mencionou ainda que “preocupante mesmo é o fato de, em muitos países, pessoas continuarem a ocupar áreas inapropriadas, áreas de risco, suscetíveis a eventos climáticos rigorosos”.

“Nós precisamos do planeta; mas o planeta não precisa de nós”, disse o geólogo. “A Terra continuará sua evolução e, ao longo dos próximos milhões de anos, a vida certamente seguirá se perpetuando, com ou sem a presença humana no planeta”, profetizou. “Quem diz o contrário, só quer gerar medo.”

(Henrique Kugler, Ciência Hoje On-line)

http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/reuniao-anual-da-sbpc-2013/terra-uma-historia-climatica

Nota do blog fakeclimate:

Ponto 1) os eventos chamados de “extremos” não estão aumentando, o que aumenta é o nosso monitoramento sobre o planeta, portanto, presenciamos a existência de fenômenos que antes não víamos;
Ponto 2) os humanos não estão alterando a química da atmosfera, porque as emissões de CO2 são cerca de 2 a 3 ordens de grandeza menores que as naturais.
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