Alterações climáticas = aumento de CO2? Pense de novo

Publicado: dezembro 19, 2012 em Entrevistas e debates
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Fonte: CBS News

Dê-se o mote. Conferência no Qatar, alarmismo pela subida do nível do mar e ninguém assume a culpa a não ser o incógnito dióxido de carbono. Mas estarão realmente os mares a subir e será o gás o verdadeiro responsável? O certo é que poucos sabem o que são, realmente, alterações climáticas.

Por Paulo Sérgio Santos e Joel Saraiva

Após a 18ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, desta vez no Qatar, os alarmes voltam a soar. Se for realmente verdade que o nível do mar está a subir à velocidade apontada pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (do inglês Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC), há pelo menos 44 países em risco de desaparecer, ilhas com menos de 30 quilómetros quadrados.

O professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Filipe Duarte Santos, explica que “o nível do mar sobe devido a três razões: por aquecimento da atmosfera – a camada superficial do oceano aquece e um corpo quando aquece dilata, o que significa que o nível do oceano vai aumentar; segunda razão: os glaciares estão a ficar mais pequenos, há uma fusão do gelo”  em água, que escorre para os oceanos; “e a última razão, há  um degelo nos campos da Gronelândia e na Antártida, o que representa um aumento do nível do mar”.

Importa, contudo, esclarecer uma ideia errada que está enraizada na sociedade. A liquefação dos glaciares oceânicos não contribui para a subida dos oceanos, conforme esclarece o professor catedrático da Universidade de Évora (UE), João Corte-Real: “há zonas do mar que estão geladas e que, se se fundirem, não vão fazer subir o nível do mar, porque como se sabe o gelo ocupa um volume maior do que a água líquida”.

Clima vs. tempo

São estas as ideias erradas que alimentam a principal confusão concetual: clima e tempo. O professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST), José Delgado Domingos, começa por citar Mark Twain: “o clima é aquilo que esperamos e o tempo é aquilo que temos”. Dito por outras palavras, o tempo é o momento e o clima é a estatística. A mudança do clima é comummente designada pelas conhecidas alterações climáticas, que são “variações de estatísticas obtidas em períodos de, pelo menos, 30 anos, para um determinado local ou para uma determinada zona”, define João Corte-Real.

Imagine-se um conjunto de dados diários recolhidos em Coimbra durante um período de 30 anos e comparados com dados de outro período de 30 anos na cidade. Essa comparação, a ser significativamente distinta, permite afirmar que existe uma diferença real e uma consequente alteração climática. “Uma alteração climática é uma alteração estatística, não é por se observar determinados fenómenos meteorológicos, fenómenos de tempo, que se pode rapidamente concluir que o clima está a mudar”, acrescenta João Corte-Real.

O problema da politização

Para quem esteja atento, percebe-se a motivação por detrás da questão das alterações climáticas, que se “tornaram uma questão política, muito mais política do que científica. E, sendo política, aparecem duas implicações. Uma, é que envolve somas de dinheiro consideráveis. A outra é que são chamados à liça políticos”, explicita o docente da UE. “Se já  estamos condicionados por decisões, de grupos ou de pessoas que não são desta área, isso aprisiona a ciência e esta deixa de ser livre”, acrescenta João Corte-Real.

Um exemplo muito simples é a fixação científica de que apenas os gases com efeito de estufa, nomeadamente o dióxido de carbono (CO2), têm implicações dominantes no aquecimento global. José Delgado Domingos é perentório ao afirmar que “atribuir tudo ao CO2 é um erro que considero gravíssimo porque é necessário o CO2 para se dar a fotossíntese”. Além disso, analisando o portal português Pordata, é possível concluir que as emissões de dióxido de carbono na Europa diminuíram praticamente um milhão de toneladas nos últimos 20 anos.

E Portugal, comparativamente à Europa? “O que é caricato é que emitimos CO2 abaixo da média europeia”, demonstra José Delgado Domingos, devido ao atual cenário económico. Há muitos outros fatores para além do CO2. Há uma perturbação, pela mão do Homem, do sistema, nomeadamente através da “desflorestação, incêndios massivos, sobreexploração dos solos e as mega cidades que impermeabilizam o solo, alterando o ciclo hidrológico e quociente de reflexão da radiação solar”, enumera João Corte-Real.

Importa, acima de tudo, esclarecer. Clarificar. “Os fenómenos meteorológicos não são diferentes porque o clima está  a mudar, é precisamente o contrário. É porque os fenómenos meteorológicos se estão a modificar que depois as estatísticas vão ser diferentes”, finaliza João Corte-Real.

Com Rita Abreu

Terça-feira, 18 de Dezembro

Fonte: A Cabra

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