Neve é neve. Gelo é gelo. E o clima, é outra coisa.

Publicado: agosto 22, 2012 em Arquivo BFC!
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A postagem de hoje trás a carta que o geólogo Geraldo Luis Lino autor do livro, “A fraude do aquecimento global” enviou ao caderno infantil “O globinho” da editora Globo. Devido a uma infeliz notícia lançada no dia 28 de agosto deste ano, recheada de erros e sensacionalismo. Sem mais delongas vamos a carta enviada diretamente ao Editor do Globinho, William Helal Filho.

Sr William Helal Filho
Editor do Globinho

Prezado Senhor:

Tendo uma filha de 11 anos que lê o Globinho com frequência e, como geólogo e crítico do sensacionalismo que tem prevalecido nas discussões sobre o clima global (sou autor do livro “A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial”, Capax Dei, 2009), gostaria de fazer algumas considerações sobre a matéria “Groenlândia em alerta”, publicada na edição de hoje.

Em primeiro lugar, sem qualquer pretensão de ensinar-lhe o seu ofício, observo que a matéria é sensacionalista, equivocada e desorientadora, quanto aos fenômenos climáticos e meteorológicos observados na Groenlândia. Mesmo sendo ela síntese da matéria publicada no caderno de Ciências, esta semana, da maneira como foi publicada, ela constitui um desserviço à educação científica e ambiental dos leitores jovens aos quais o texto é orientado. Se não, vejamos:

O sensacionalismo começa no título “Groenlândia em alerta”. Pois, curiosamente, os groenlandeses parecem tudo, menos “em alerta” a respeito de um fenômeno que conhecem de sobra, como se pode observar, entre outras fontes, na nota seguinte do jornal local Sermitsiaq.AG:  http://sermitsiaq.ag/node/132181 (Temos uma postagem explicando tudo sobre a matéria deste link, que está em dinamarquês e que virou uma moda sensacionalista. Clique aqui.).

O texto fala que a Groenlândia “perdeu 97% do gelo que cobre sua superfície”; isto está muito distante dos fatos reais: como afirma a nota do jornal groenlandês, o que derreteu foi a cobertura superficial de neve, que se acumula no inverno e derrete no verão. Este fenômeno é cíclico e está registrado nos dados paleoclimáticos observados em amostras de gelo perfuradas na região central da ilha, que possibilitam uma visão do clima local há milhares de anos no passado.

As imagens que acompanham as matérias do caderno de Ciências e do Globinho (divulgadas pela NASA, a bem da verdade) são enganosas, pois deixam em leitores desinformados (ou seja, quase todos) a impressão de que a ilha ficou sem a sua cobertura de gelo, até pela cor avermelhada usada para contrastar com o branco da neve. Ora, a cobertura de gelo abrange uma área de quase 1,7 milhão de quilômetros quadrados, 80% da extensão da ilha, com uma espessura média de 1,6 km. Para que 97% deste gelo derretesse em poucos dias, seria preciso um cataclisma cósmico quase inimaginável, que devastaria o planeta antes que o gelo começasse a derreter.

A própria matéria do caderno de Ciências reproduz a informação de uma cientista da NASA, segundo a qual “um derretimento nas mesmas proporções ocorreu em 1889 e também em épocas anteriores”. Logo, nenhuma novidade nisto. Ou seja, como a matéria do Globinho observou, “é normal haver derretimento no verão de lá” (não ocorre com a intensidade observada todos os anos, mas, como admite a própria NASA, não é inusitado).

Segundo o texto,  “cientistas temem que se outros descongelamentos como esse voltarem a ocorrer nos próximos anos, pode haver um aumento no nível do mar que vai afetar o mundo todo”. Pelos motivos citados acima, nenhum cientista que se preza poderia ter esse temor, pelo simples motivo de que a neve que cai sobre a ilha e derrete no verão não exerce qualquer influência sobre o nível do mar, até porque ela se forma a partir da evaporação das águas do oceano Atlântico, que circunda a Groenlândia. O nível do mar somente poderia ser influenciado pela fusão do gelo que cobre a ilha, mas esta cobertura já experimentou períodos bem mais quentes que o atual, nos últimos 12 mil anos, e não se observou qualquer fusão do mesmo.

Por tudo isso, o Globinho deveria tomar mais cuidado com o que publica sobre os assuntos climáticos, podendo, pelo menos, solicitar a opinião de especialistas, e não apenas os adeptos do enfoque sensacionalista.

Atenciosamente,

Geraldo Luís Lino
Rio de Janeiro – RJ

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Obrigado Geraldo Lino por essa ação de interesse público, e que os editores fique mais espertos antes de começarem a soltar absurdos aos quatro ventos!

Enquanto isso deixo minha recomendação aos editores irresponsáveis desse Brasil, ou melhor, desse Mundo!

Abraços tropicais

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