“Não existe Efeito-Estufa”, diz Ricardo Felício

Publicado: julho 3, 2012 em Arquivo BFC!, Entrevistas e debates
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A Terra não é casa de vidro!

A terra está dentro de uma estufa de vidro? Sem dinâmica atmosférica? Sem perturbações, sem ciclos biogeoquímicos? Sem movimentos de massas de ar?  A ideia da estufa (greenhouse effect) é uma simplificação que distorce a realidade. Propagando erros por onde passa. A afirmação famosa de Ricardo Felício “não há efeito estufa” é comentada por ele mesmo em entrevista dada a Agência de Notícias Universitárias. Mais uma vez derrubando mitos.


 

São Paulo (AUN – USP) – Com essa frase, um dos cientistas mais polêmicos do País põe em dúvida a base de todas as discussões climáticas das últimas décadas. Formado em Ciências Atmosféricas pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP e doutor em Geografia Física pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Ricardo Felício afirma ser discriminado e censurado dentro da própria Universidade devido a suas ideias. “Sou o único professor da USP que não tem computador”, declara. “Tudo aqui eu compro com o meu dinheiro.”

Segundo Felício, todas as teorias do aquecimento global seriam provenientes de modelos numéricos no computador, os quais simulam as condições naturais. O professor afirma que esses modelos não representam fielmente a realidade, pois não simulam o Sol e a atmosfera, apenas os gases do Efeito Estufa, cuja existência ele nega.

Seu maior argumento baseia-se na relativa raridade do CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), suposto maior vilão na luta contra o aquecimento. Um dos chamados gases traços (nome dado aos menos abundantes), ele apresenta uma concentração aproximada de 0,033% na atmosfera. Segundo o cientista, essa baixa concentração o impede de exercer grande influência climática. Felício contesta a própria idéia de que o dióxido de carbono absorve os raios infravermelhos emitidos da superfície da Terra e reemite parte deles, já que as moléculas do gás se movem, gastando a energia absorvida e transferindo-a aos elementos mais abundantes, como o nitrogênio e o oxigênio, com os quais colidem durante a movimentação. Além do mais, a reemissão se daria para todos os lados, sendo a superfície terrestre apenas um dos alvos. “Isso se o vapor de água, que pega quase tudo [a energia], deixasse”, acrescenta.

Segundo o pesquisador, o que mantém a temperatura da Terra amena não são os gases do Efeito Estufa, mas a atmosfera, que impede mudanças bruscas e violentas baseadas na variação da radiação solar. Para ilustrar o conceito, cita a Lua, que não tem atmosfera e, por isso, apresenta temperatura altamente instável, em torno de 150°C durante o dia e -130°C, à noite. Felício atribui também ao vapor d’água grande influência sobre o clima, muito maior que a do gás carbônico. Segundo ele, entre 25% e 33,33% das trocas de energia terrestres são controladas pelas nuvens.

Uma das maiores evidências que apresenta contra o papel do gás carbônico no aquecimento é o fato de que, durante as duas últimas Eras Glaciais, sua concentração era dez vezes maior que a de hoje. Além disso, ele afirma que a atividade humana responde por cerca de 2% do CO2 do planeta, muito pouco para exercer algum impacto significativo.

Felício desacredita também os dados usados pelo IPCC para provar o aumento da concentração de gás carbônico, vindos, em grande parte, do observatório havaiano de Mauna Loa, próximo ao vulcão homônimo. “Atualmente a concentração de CO2 na atmosfera é a mais baixa da história”, diz. “Oitenta e três por cento dos dados então contaminados pelo vulcão.” Ele vai mais longe e afirma que, em 1820, medições já apontavam valores de 450 ppm (partes por milhão) de CO2, muito antes da proliferação do sistema industrial contemporâneo. Segundo o cientista, para se esquivar disso, “o IPCC afirma que o método de Pettenkofer [usado nessas medições] não vale mais”, mas sem explicar por que o teriam abandonado ou ainda por que o retomaram nas medições atuais, depois de julgá-lo inválido.

O pesquisador aponta equívocos inclusive no trabalho do cientista sueco Svante August Arrhenius, no século 19, para calcular a influência do Efeito Estufa. Arrhenius foi um dos primeiros a responsabilizar o fenômeno pela regulação da temperatura terrestre e, em 1896, afirmou que, sem ele, nosso planeta apresentaria uma temperatura média de -18°C. Porém, segundo Felício, a enorme discrepância entre esse valor e a temperatura média da Lua, é sinal claro de falha nos cálculos. “Lua e Terra são objetos astronomicamente muito próximos”, aponta. Arrhenius, ao usar em suas contas, uma fórmula criada por Stefan-Boltzmann, teria cometido um erro básico ao calcular a raiz quarta da média térmica. “Ele tirou todas essas incidências de energia, fez a somatória, depois, tirou a média e jogou na equação”, explica. Felício diz que, em vez disso, Arrhenius deveria ter tirado a raiz quarta de cada uma das medições, para, depois, calcular a média. “Esse projeto só foi recalculado agora, em 1995”, reporta. “E, aí, chegamos à temperatura efetiva da Terra de -129°C”. Isso, sem a atmosfera.

Outro ponto polêmico de suas teorias diz respeito à deterioração da camada de ozônio, a qual, afirma, sequer existe. Ele define o ozônio como um material altamente reativo, uma forma transitória do oxigênio que depende do Sol para manter-se estável. Portanto, a quantidade de ozônio na atmosfera está em constante alteração e não pode ser medida efetivamente. Por isso, a camada some nos meses de inverno, quando a Antártica (local onde se localizou o atual buraco) não recebe luz solar.

De onde vem todo o apoio recebido por essas teorias, então? Na opinião do pesquisador, do interesse dos países desenvolvidos em retardar o avanço das nações pobres, forçando a adoção de métodos de produção mais caros. “Desenvolvimento sustentável, na verdade, é desenvolvimento zero”, ataca.

Por Fernando de Oliveira
fonte: http://www.usp.br
27/06/2012

abraços tropicais!

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comentários
  1. Saudações e agradecimentos ao Professor Ricardo Augusto Felício – vibrações positivas para a sua grandeza! CésarTurra.

  2. […] “Não existe Efeito-Estufa”, diz Ricardo Felício […]

  3. Ricardo Augusto é um orgulho pro Brasil!! Eu vejo honra em suas palavras, uma coisa perdida há muito tempo e a qual vejo retornar em cada entrevista e/ou palestra feita!

  4. Alexandre Oliveira disse:

    Não vou negar que sendo eu biólogo e ambientalista as informações sobre pesquisas que acusam a humanidade das catástrofes globais vinham a calhar. Mas tenho visto várias teorias caindo por terra que nos leva a crer que muitas são fictícias no intuito de angariar fundos e outras coisas mais.

  5. Nelson disse:

    Até quando pessoas e empresas comprarão idéias falsas como “sustentabilidade”, “economia do baixo carbono”, “efeito estufa”, “mudança climática”. Mais honesto seria uma campanha para convencerem as pessoas a jogarem lixo no lixo.

  6. É só ver a história e verá a balela desse professor. Por exemplo posso citar a Dust Bowl, as famosas tempestades de areias que foram geradas, principalmente, por questões relacionadas a agricultura e desmatamento nos EUA. Foram ocasionadas, principalmente, pela má gestão americana dos recursos naturais e causaram perdas terríveis para os agricultores americanos. Não estou dizendo que o professor está errado em todas as colocações, só acho que se há dados científicos, que ele publique artigos científicos para a comunidade científica corroborar os dados ou questioná-lo. Esse é o verdadeiro processo científico.

    • Paulo Vitor disse:

      Ele já colocou os dados e todas as suas fontes em suas palestras, já que a militância anti-científica não o deixa trabalhar. Basta procurá-las que verá que existem e que estão corretas. Agora, se seguir o IPCC, aí parte para pensamento redundante

    • Luis disse:

      Você usa UM EXEMPLO (que supostamente seja verdadeiro) local e quer desqualificar o professor em todos os seus argumentos. Veja só, você mesmo se contradisse, Humberto. Lamentável!

      • Luis, você tem razão. Fui um pouco duro no meu comentário.
        Mas tenho muito medo dessas vozes discordantes do pensamento científico geral.
        Tenho visto MUITAS palestras (sou fotógrafo e registro muitos encontros, inclusive científicos).

        A ciência não é feito por certezas, mas por questionar os fatos continuamente.
        Mas só questionar não é o suficiente. É preciso selecionar dados e fazer análises que comprovem hipóteses. Depois disso, é necessário publicar artigos em revistas científicas para que outros cientistas consigam obter os mesmos resultados e corroborar os resultados obtidos.

        Por mais que hajam grupos patrocinados por corporações, governos, etc, acho muito difícil acreditar na ideia de que toda a comunidade científica esteja envolvida em uma fraude. Gostaria também o professor em suas entrevistas relatasse como seus artigos científicos foram corroborados por outros cientistas. É assim que a ciência funciona. Não com teorias da conspiração.

  7. Carlos disse:

    Esse Humberto Teski deve morar em outro mundo. Nunca ouviu falar em mainstream científico? Você acha que ele consegue publicar alguma coisa que não seja em revistas menores? Só olhar seu CV e conversar pessoalmente com ele que você descobre. Aliás, a tal corroboração de outros cientistas não passa de uma fraude de censura. Por que não se adota os novos métodos de publicações onde o cientista publica e o parecerista também os seus comentários, tudo abertamente, para que ele seja replicado? Claro que não, preferem fazer isto tudo na surdina, na omissão, típica de ações de covardes, onde depois, outros idiotas, como o visto acima e em diversos outros sítios, adoram se aproveitar. Então vejam o exemplo de Richard Lindzen, do MIT, relatando exatamente o que eu escrevi acima e parem de falar idiotices.

    • Estevão Setingerg disse:

      Aliás, o cara é fotógrafo, exímio climatologista! Piada pronta e pau mandando de alguém.

      • Humberto disse:

        Melhor ser fotógrafo do que ser fake (Estevão Setingerg nem existe na web kkkkkk).
        Já fotografei INÚMERAS palestras científicas. Qual é o sua capacitação técnica fake?

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